Manifesto para Avançar a Psicologia no Brasil



Para a grande maioria de nós, entrar num curso de psicologia tem muito mais a ver com um estado de “encantamento” do que um sonho de realização profissional.  Não digo aqui dos muitos e muitos alunos que deveriam investir num processo terapêutico, aqueles que se iludem com a ideia infantil de que “vou fazer o curso de psicologia para me encontrar”.

Não, nos referimos refiro à maior parte dos estudantes que vê a psicologia como um conjunto de saberes que vão ser úteis para impactar positivamente nossa sociedade, que anseia por colocar em prática todo o conhecimento adquirido e ter com isso a justa contrapartida.

Mas, infelizmente, a realidade se mostra bem mais cruel. Já ao longo da sua formação, é comum que o aluno de psicologia seja bombardeado com negativismo, medo e ameaças veladas em frases do tipo: “a psicologia não dá dinheiro”, “não dá para viver da clínica”, “vocês têm é que começar por baixo mesmo”, “se firmar na carreira leva em torno de dez anos”.

Por outro lado, a própria estrutura do ensino se propõe a reforçar tais crenças, dando pouca ou nenhuma ênfase ao ensino de competências básicas de empreendedorismo, gestão de negócios e marketing, lançando no mercado milhares de graduados por ano com um limitadíssimo repertório para aplicar a psicologia em um negócio/ profissão que seja relevante para o público e recompensador para o profissional.

Uma vez fora da “bolha protetora” que o ambiente acadêmico oferece, os profissionais de psicologia se veem à mercê de baixas remunerações, empregos subqualificados, condições escorchantes de trabalho em convênios e planos de saúde e a extrema dificuldade de empreender individualmente.

É claro que nem tudo são trevas e desespero. Existem inúmeras histórias de sucesso entre psicólogos que conseguiram sem posicionar bem, se destacar em suas áreas de atuação e garantir bons resultados, seja em relação à visibilidade ou remuneração. Mas não sem percorrer um árduo, tortuoso e longo caminho.

A Psicologia, enquanto campo de estudo, vem atraindo cada vez mais jovens. O Censo da Educação Superior do MEC constata que entre os 10 cursos mais procurados nas universidades brasileiras, a Psicologia ocupa a sétima posição desde o ano de 2010; sendo que entre os anos de 2012 e 2016, o número de ingressantes em Psicologia cresceu 25,8%. A desistência ao longo do curso, apesar de não ser a mais alta entre os cursos superiores, é significativa: 52,8%.

O estudo “Quem é a psicóloga brasileira - Mulher, Psicologia e Trabalho" (2013) organizado pela psicóloga, psicanalista e professora Louise A. Lhullier, com base em 232.000 CRP’s ativos retrata alguns aspectos da realidade desafiadora que as psicólogas e psicólogos brasileiros enfrentam:
Ou seja, do universo de profissionais que estão no mercado (e sabemos que é um número muito menor dos que se formam), há um imenso contingente que poderia ter dedicação exclusiva à psicologia, mas ainda não consegue.

Mas, diante das dificuldades no exercício da profissão, temos um ponto de apoio, um porto seguro onde podemos nos orientar, abastecer-nos de conhecimentos e tomar contato com o que há de mais avançado na Psicologia: o nosso Conselho!

Será?

Infelizmente, o Sistema de Conselhos de Psicologia vem se afastando da realidade dos profissionais e tendo um papel cada vez menos relevante nas questões que realmente importam para o desenvolvimento da Psicologia enquanto ciência e profissão e dos psicólogos enquanto operadores dessa ciência. Bandeiras visivelmente partidárias ocupam a agenda dos conselhos, ao passo que a orientação do profissional, a inovação, o empreendedorismo, a capacitação dos psicólogos no manuseio de novas tecnologias, estratégias de marketing que aproximem a população de nossa ciência ou mesmo uma postura mais ativa na defesa da Psicologia diante dos ataques de outros campos do conhecimento – muitas vezes duvidosos, são pautas esquecidas ou relegadas à margem das discussões.

É comum que o que os psicólogos pensem – e digam “o Conselho não me representa”. E as evidências estão aí para reforçar esse sentimento. Malversação dos recursos, manifestações claramente partidárias, pautas pouco alinhadas à realidade dos psicólogos, ineficácia nas respostas às dúvidas dos profissionais são alguns dos sintomas de uma grave doença: a alienação.

Precisamos lembrar aos Conselhos de Psicologia, que se dizem defensores dos Direitos Humanos, que o TRABALHO também é um direito humano, assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Então por que pautas como o empreendedorismo e a empregabilidade, ou em outras palavras, o TRABALHO DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA, sempre ficam de fora de suas preocupações? Porque não parece ser do interesse dos Conselhos a real defesa de direitos humanos, como eles afirmam, mas sim panfletar de forma subliminar suas ações alinhadas à fóruns, sindicatos, associações e partidos políticos que nada tem para contribuir com a psicologia, mas para a manutenção de poder de grupos políticos que estão há mais de 20 anos aparelhando estas autarquias federais.

E é para fazer frente a essa realidade que o Movimento Avançar a Psicologia foi criado, a partir da união das forças de profissionais de vários campos da Psicologia e de outros saberes, de todo o território nacional, com o objetivo de criar e difundir conhecimentos alinhados às necessidades reais dos Psicólogos e Psicólogas em campo, propor discussões e questionamentos, dar suporte aos profissionais naquilo que realmente faz sentido para o exercício de uma psicologia moderna, atenta às necessidades dos usuários, mas também focada na satisfação do profissional, com estratégias concretas que levem à melhoria da qualidade de vida e de trabalho dos nossos colegas.

Somos um grupo de PSICÓLOGOS POLÍTICOS TRANSPARTIDÁRIOS, porque rompemos com este modelo de partidarismo político nefasto que assola a psicologia: para estes corruptos nós somos APARTIDÁRIOS! Nós não tomamos partido com gente que tenta transformar a psicologia em feudo e seus colegas em vassalos. O nosso partido é a psicologia! Nós defendemos a inovação, o empreendedorismo, a pluralidade, a diversidade e a LIBERDADE!

Para isso, te convidamos a conhecer nossas bandeiras e a somar esforços na luta para AVANÇAR A PSICOLOGIA NO BRASIL!

Movimento Avançar a Psicologia, Brasil, janeiro de 2019

5 comentários:

  1. Precisamos tornar nosso conselho mais forte e atuante na defesa dos interesses comuns de nossa profissão e seus benefícios para a sociedade.

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  2. Conselhos profissionais não são sindicatos nem associações profissionais, menos ainda agências de propaganda. Sua função precípua e exclusiva é a promoção da prática ética e daquilo que deriva daí. "marketing' é um termo incompatível com a atividade de conselhos, e até mesmo da psicologia em geral. Não cabe a nenhum profissional da psicologia fazer marketing de suas práticas. Quem pensa diferentemente não entendeu o que é ética psicológica e menos ainda o que é um conselho profissional.

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    1. A Ciência lida com problemas, a Fé lida com mistérios e a política (sic) com o Poder. Considero a Psicologia uma Ciência Natural a ser submetida ao método científico, seus achados e refutações científicas. Peer review/publicação é o "marketing" da Ciência; rituais, celebrações e caridade são o "marketing" da Fé. O "marketing" da política (sic) é a PROPAGANDA, que se torna fórmula básica, monolítica e dogmática entre o comissariado dos CFP/CRPs. Qualquer estudante de Comunicação Social sabe a diferença entre Publicidade e Propaganda e a ferramenta comum "marketing". A PROPAGANDA dos CFP/CRPs está tornando o Psicólogo e a Psicóloga menos avisados em técnicos de Assistência Social (papel do Estado e muitas vezes de nomenclaturas cuja Fé é a base). A minha carteira ostenta o título de quem deu fé a emissão: uma Conselheira PRESIDENTA! Além da deformação do idioma, qualquer um percebe a Propaganda subliminar no documento. Daqui há pouco a psicologia (sic) do comissariado e sua massa de manobra se dissolverá no Serviço Social para a felicidade e ganho de poder desta categoria cujo empregador principal é o Estado e o ideólogo é Gramsci e Habermas, embora prefiro Marcuse por ser mais direto. Guillherme de Souza Lima Brito, MSc, DSc. CRP: CRP04/10295
      CREA: MG-6144/TD
      CFT-BR nº 141668607-0
      CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/8129703041249048

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  3. Nossa que bom ver pessoas que pensam assim. Até que enfim surge uma esperança de um Conselho voltado para nossa questões. Chega de pagar caro para o conselho ficar militando em causas alheias e n os ignorar. Não sou contra defender os direitos das minorias, mas antes precisamos assegurar que os psicólogos (as) tenham espaço no mercado de trabalho,seja nas instituições públicas ou privadas, e nos consultórios. Afinal, antes de colocar a mascara de oxigênio nos outros precisamos colocar em nós mesmos!

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  4. Gostei muito do movimento. Acredito que precisamos de mudanças sociais maiores e a valorização do trabalho, bem como os ganhos salariais, refletem o princípio da dignidade da pessoa humana. Não concordo com o valor máximo do serviço na tabela de referência dos honorários do psicólogo, por ser contrário ao princípio constitucional do valor social do trabalho e da livre iniciativa. Os ganhos são méritos do esforço profissional de cada um.

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