Nasce um psicólogo empreendedor



Os cursos de formação superior no Brasil formam trabalhadores operacionais. Tão operacionais quanto aqueles que não têm nenhuma formação. Muda o conhecimento, mas a dinâmica de trabalho continua a mesma. Parece forte demais isso, não? Mas vou explicar o porquê dessa afirmação.

Na verdade, obviamente, este problema não começa na educação superior. Vem de berço! Nossas crianças aprendem desde muito cedo a fazer cálculos matemáticos que naquela fase não fazem nenhum sentido pra elas, não conectam com a realidade delas. Foi assim comigo e, certamente, foi assim com você também.

Imagine como seria bem diferente se desde muito pequenos, nós aprendêssemos sobre como lidar com as emoções, com nossos próprios pensamentos. Se aprendêssemos sobre lidar com nossas necessidades internas, a prestar atenção em nós mesmos. Se aprendêssemos e praticássemos a auto-responsabilidade, entendendo que somos nós, e ninguém mais, somos responsáveis por construir nossa própria história e que jamais devemos culpar ninguém por aquilo que não realizamos.

Imagine como seria bem diferente se ainda durante a nossa infância, nos nossos primeiros anos, aprendêssemos que estudar para ser alguém na vida não faz sentido algum. Que na verdade, nós só somos alguém quando construímos aquilo que desejamos ser. E tudo que precisamos pra realizar qualquer coisa já está dentro de nós.

Este seria um cenário totalmente diferente deste que conhecemos hoje. O que permitiria que na vida adulta, já tivéssemos uma mentalidade amadurecida o suficiente pra entender que, todos nós, aquele que trabalha e o que não trabalha. Aquele que é empregado e o que não é. Aquele que tem e o que não tem uma empresa. Todos nós somos empreendedores em algum nível. Que na verdade, toda vez que alguém se responsabiliza por escrever e realizar a própria história, nasce um empreendedor. E sendo assim, o tema empreender deveria ser do interesse de todos.

Deveria, mas não é. E por que não é? Porque nem mesmo as universidades, instituições da cadeia superior de ensino focam seus conteúdos para o empreendedorismo. É uma cultura de ensino presa no tradicional, no que era útil e aplicável há mais de cem anos, mas que hoje não é funcional àquele que aprende.

Aliás, a educação superior no Brasil existe desde 1808. Nesse ano foram criadas as escolas de Cirurgia e Anatomia, em Salvador (hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia) e de Anatomia e Cirurgia no Rio de Janeiro (hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a Academia de Guarda Marinha, também no Rio[1].

Segundo Adorno, os cursos de formação superior foram criados inicialmente por interesses políticos. Queriam pessoas formadas e capazes para servir ao Estado[2]. De 1808 até 1990, em decorrência do processo de transformação político-institucional do país, o sistema de ensino superior passou por diversas mudanças. Mas, parando pra analisar hoje, percebe-se que as mudanças ainda não chegaram a um nível coerente com nossa atual realidade - Não ensinam sobre empreendedorismo nas universidades.

Falando especificamente sobre a formação em Psicologia, é muito comum encontrarmos psicólogos frustrados em suas carreiras.  Eles se formam, em seguida abrem seus consultórios e passam a implorar indicações de amigos e familiares, se "escondem" atrás das suas mesas e ficam esperando seus pacientes / clientes caírem do céu.

Com o passar dos meses, o dinheiro que os pais destinaram a este "negócio" começa a acabar. A família começa a pressionar. Aquele recém formado que antes era o orgulho da família, começa a ser motivo de preocupação. E o novo psicólogo que antes era puro gás e empolgação, começa a se ver frustrado e desanimado. Começa a se questionar se realmente valeu a pena tantos anos de estudo e investimento.

O relato acima é um possível cenário. Talvez o mais comum. Mas há outros casos, como por exemplo, a pessoa se formar em psicologia, mas não conseguir colocação no mercado de trabalho e continuar no mesmo emprego que já tinha antes de formar-se. Sendo apenas mais um na estatística de psicólogos com diploma, mas zero de prática.

Se você mesmo não passou ou passa por isso, certamente você conhece alguém nessa situação. Porém, todo esse contexto seria muito diferente se nas faculdades de psicologia ensinassem empreendedorismo. Se ensinassem noções de marketing, vendas, psicologia do consumidor, bases de um modelo de negócios. E mais, se ensinassem que psicólogos não precisam ficar presos a um modelo tradicional de exercício da profissão, apenas prestando atendimentos em seus consultórios ou em consultorias de RH. A Psicologia é muito mais que isso!

Todo psicólogo é uma jóia preciosa, porque ele tem o que há de mais importante, o conhecimento. Esse conhecimento, se usado de forma correta e ética, pode alcançar um número infinito de pessoas pelo mundo. Estou falando aqui da venda de conhecimento!

Tudo nesse mundo é vendido. Aliás, se existe um psicólogo é somente porque ele pagou de forma direta ou indireta, 5 anos de estudo pra ter tal título. Então, nada mais justo do que ele vender o conhecimento que tem.

Porém, os psicólogos, em sua grande maioria, sequer pensam nisso, porque estão presos aquele modelo tradicional de trabalho que aprenderam durante os anos de faculdade. Estão acostumados a pensar em um único formato. As crenças, os medos, o contexto familiar, a criação, tudo isso colabora para que o psicólogo construa sua carreira de maneira muito medíocre (salvo raras exceções).

Existe um mundo lá fora - fora das quatro paredes - cheio de possibilidades pra transformar sua carreira em um negócio rentável e bem sucedido. Você não precisa repetir a história, não precisa se manter no lugar comum. E pra sair dessa posição basta querer e dar espaço para que as mudanças aconteçam de dentro para fora. Permita nascer dentro de você um empreendedor!

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Texto adaptado
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Sobre a autora:
Geize LimaPsicóloga e empreendedora. Minha missão é ajudar, incentivar e promover a mudança na vida dos Psicólogos através do empreendedorismo. Idealizadora do Portal do Portal Psicólogo Próspero e de diversos cursos voltados para o empreendedorismo na Psicologia. Fundadora do Projeto Social Seja+, onde ministro treinamentos gratuitos voltados para o desenvolvimento pessoal e profissional da população carente. Tenho 13 anos de experiência em desenvolvimento humano, realizando entrevistas, processos seletivos, treinamentos e atendimentos. Ao todo, já realizei mais de 25 mil atendimentos, com clientes do Brasil e exterior. Todos esses anos na Psicologia tem sido muito gratificantes, com muitos projetos, ajudando na transformação de muitas vidas. E você também merece alcançar a realização e prosperidade na carreira. Estou aqui pra te ajudar!

Site: psicologoprospero.com.br
Instagram: @psicologoprospero



[1] (Sampaio, Helena, P. 2)
[2] (Adorno, 1988, p. 1-20)

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